O coração de um bebê pode caber na palma da mão. Mas é nele que mora a batida da vida. E desde dezembro de 2024, a maternidade do Hospital da Mulher Mãe Luzia, em Macapá, tem dado ouvido a esse compasso com um exame pequeno no gesto e imenso no resultado: o teste do coraçãozinho.

Simples, rápido e indolor, o exame mede a oxigenação do sangue do recém-nascido por meio de um oxímetro de pulso. O procedimento já alcançou mais de 1,6 mil bebês nos seis primeiros meses de 2025. Em três deles, o aparelho apitou. E em um, confirmou: era cardiopatia congênita, diagnosticada antes que a vida pudesse perder o ritmo.
“É um exame indicado para todos os bebês saudáveis, entre 24 e 48 horas de vida. Quando o resultado não está dentro da normalidade, a criança é encaminhada para exames complementares e avaliação médica”, explica a enfermeira obstetra Maria Dalva da Rocha, gerente do ambulatório do hospital.
Com o teste, o Amapá passou a oferecer os cinco exames obrigatórios da triagem neonatal: pezinho, orelhinha, olhinho, linguinha e coraçãozinho. Um ciclo completo de cuidados que representa mais que protocolo: é garantia de direitos e de futuro.
Para a mãe Keliane Magro, de 28 anos, que teve seu quinto filho na unidade, o exame foi uma surpresa feliz. “É a primeira vez que faço esse teste. Antes não tinha aqui. Às vezes a criança nasce com um problema e só descobre lá na frente, quando pode ser tarde. Esse exame dá segurança para nós, pais, desde o início”, comemorou, com o marido Orismar Silva ao lado.
Entre rotinas de maternidade, choros, mamadas e suspiros, o teste do coraçãozinho já se tornou mais uma batida firme no peito da saúde pública. Porque quando o coração fala baixo, é preciso ouvir cedo. E quando ele bate forte e saudável, é vida que segue e no compasso certo.
