O furto de computadores e documentos da sede da Macapá Previdência (MacapáPrev), descoberto no último sábado (14), passou a ser investigado pela Polícia Civil do Amapá sob uma hipótese sensível: a possível destruição ou ocultação de provas em meio às apurações sobre um rombo estimado em cerca de R$ 220 milhões nas contas do instituto.
A invasão ocorreu dentro da própria estrutura administrativa da autarquia e chamou a atenção dos investigadores por uma característica incomum: não foram encontrados sinais de arrombamento externo.
Durante a perícia realizada no local, também foi constatado que os sistemas de comunicação haviam sido interrompidos no momento da ação, um detalhe que reforçou a suspeita de que o crime possa ter sido planejado de forma direcionada.
Equipamentos do setor financeiro estavam entre os principais alvos
Entre os itens levados estão notebooks utilizados pelo ex-diretor financeiro da MacapáPrev, Fabiano Gemaque Valente de Andrade, e pela ex-chefe de gabinete da presidência do instituto, Karyna Santos Ramos.
Ambos deixaram os cargos recentemente após mudanças na administração municipal.
Fontes da área de segurança pública indicam que o fato de equipamentos ligados diretamente ao setor financeiro terem sido o foco da ação criminosa acendeu um alerta dentro da investigação.
Uma das linhas analisadas pelos investigadores considera a hipótese de que os dispositivos pudessem conter informações estratégicas sobre movimentações financeiras do instituto.
Queda abrupta no caixa da previdência está no centro das suspeitas
O episódio ocorre em meio a questionamentos sobre o estado das finanças da previdência municipal.
Dados encaminhados pelo Ministério da Previdência Social ao Tribunal de Contas do Estado do Amapá indicam uma redução drástica nas reservas do instituto.
Em cerca de dois anos, os recursos teriam caído de aproximadamente R$ 176,8 milhões para cerca de R$ 39 milhões. Atualmente, o saldo estaria pouco acima de R$ 31 milhões.
A magnitude da queda levou órgãos de controle a pedir explicações formais sobre a gestão dos recursos previdenciários.
Mudança de poder na Prefeitura ocorre em meio às investigações
O caso também se desenrola em um momento de forte turbulência política na capital.
A administração municipal passou por mudanças após o afastamento judicial e posterior renúncia do prefeito Antônio Furlan. O vice-prefeito Mário Neto também foi afastado.
Com isso, o comando da Prefeitura de Macapá passou a ser exercido interinamente pelo presidente da Câmara Municipal, Pedro DaLua.
Após a mudança no Executivo, a estrutura administrativa da MacapáPrev também foi alterada. A então presidente do instituto, Janayna Gomes da Silva Ramos, pediu exoneração em março, um dia após a renúncia do ex-prefeito.
Câmara abre investigação paralela
A crise em torno da previdência municipal ganhou novo capítulo na última quinta-feira (12), quando a Câmara Municipal aprovou a criação de uma comissão processante para investigar o vice-prefeito e a gestão da MacapáPrev.
Caso ocorre em meio ao impacto da Operação Paroxismo
O cenário político e administrativo que envolve a prefeitura também está sob o impacto da Operação Paroxismo, conduzida pela Polícia Federal.
A investigação apura suspeitas de fraude em licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro em contratos ligados à construção do Hospital Geral Municipal de Macapá.
No âmbito do inquérito, o Supremo Tribunal Federal autorizou mandados de busca e apreensão em Macapá, Belém e Natal, além do afastamento de servidores públicos por 60 dias.
Prefeitura deve se pronunciar
A Prefeitura de Macapá informou que deve se manifestar publicamente sobre o furto ocorrido na MacapáPrev nesta segunda-feira (16).
Enquanto isso, a Polícia Civil mantém as investigações sob sigilo para apurar quem teve acesso ao prédio e qual seria o verdadeiro objetivo da ação.
