A euforia dos grandes eventos, como um ópio para a população, parece ofuscar as mazelas persistentes que castigam Macapá, desde as Unidades Básicas de Saúde (UBS) com problemas, enchentes, atraso de salário de trabalhadores terceirizados até as ruas esburacadas.
Uma capital campeã nos rankings negativos
O Índice de Progresso Social (IPS), desenvolvido pela Social Progress Imperative (SPI) e divulgado pelo Instituto Imazon, coloca Macapá entre as cinco piores capitais no ranking de qualidade de vida. Com um índice de 58,72, a capital do Amapá está abaixo da média nacional (61,96) e se junta a Porto Velho (RO), Maceió (AL), Salvador (BA) e Rio Branco (AC) na lista das lanternas.
O IPS mede o acesso à qualidade de moradia, saneamento, saúde, educação, inclusão e meio ambiente, e a baixa pontuação de Macapá revela falhas gritantes em todas essas áreas.
O cenário se agrava ao observarmos que duas outras cidades do Amapá, Oiapoque e Pracuúba, figuraram entre as 20 piores cidades para se viver no país em 2024, com índices preocupantes de 46,91 e 50,11, respectivamente. A fragilidade se estende por outros municípios do estado, com a maioria apresentando notas bem abaixo da média nacional.
IFDM: a liderança negativa de Macapá
Para completar o quadro sombrio, um estudo divulgado no início de maio pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) jogou ainda mais luz sobre essa face oculta da capital. Macapá ostenta o pior Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) entre todas as capitais do Brasil. Com um IFDM de apenas 0,5662, a cidade ocupa a última posição no ranking nacional, evidenciando uma estagnação preocupante nos indicadores de emprego e renda, saúde e educação.
Enquanto outras capitais da região Norte, como Boa Vista, Belém e Manaus, também enfrentam desafios, Macapá se distancia negativamente, expondo a urgência de ações concretas. A comparação com as cidades mais desenvolvidas do país, localizadas principalmente em São Paulo e no Paraná, como Águas de São Pedro (SP) com seu IFDM de 0,8932, revela um abismo de desenvolvimento que Macapá precisa transpor.
