Nesta quinta (20), a Polícia Militar do Amapá deu início à Operação “21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra Mulheres”. A ação leva às ruas um propósito claro: proteger, conscientizar e encorajar mulheres a romper o silêncio sobre a violência que ainda marca tantas vidas no estado.
A operação marca o início de uma jornada que vai até 10 de dezembro, conectando o Dia da Consciência Negra ao Dia Internacional dos Direitos Humanos. Entre essas duas datas, há uma linha de dor e resistência: a das mulheres que enfrentam a violência doméstica, o medo, a culpa e o silêncio.

“Hoje iniciamos oficialmente os 21 dias de ativismo. É um período de mobilização, de fortalecimento e de defesa da vida de todas as mulheres e meninas”, disse a capitã Waldenice Nogueira, da Patrulha Maria da Penha.
No Amapá, as ações tomam forma em palestras, blitz educativas, visitas domiciliares e rondas em bairros com maior incidência de violência doméstica. A presença policial, dessa vez, é escudo e acolhimento.
Há algo de simbólico em iniciar essa campanha no Dia da Consciência Negra. É reconhecer que mulheres negras vivem a dor em dobro: a da violência de gênero e a do racismo estrutural. São elas que, muitas vezes, sustentam a casa, os filhos e ainda enfrentam o medo de não serem ouvidas.
A Rede de Apoio à Mulher (RAM) atua junto da PM, garantindo que cada denúncia não seja apenas um número, mas o início de um novo ciclo.
“Nossas ações são educativas e preventivas. Queremos evitar que a violência aconteça e fortalecer a rede de proteção às vítimas”, explica a capitã Waldenice.
E se cada denúncia fosse um recomeço?
Os 21 dias de ativismo não são uma campanha publicitária: são um pedido coletivo por dignidade. Em cada blitz educativa, em cada conversa em escola, em cada panfleto entregue, há o peso de uma história real.
Mulheres amapaenses - donas de casa, estudantes, ribeirinhas, mães solo - seguem transformando dor em coragem.

E é ali, entre o barulho dos motores e o vento úmido da Amazônia, que a Polícia Militar tenta romper o ciclo da violência com o que ainda é mais poderoso que a repressão: a escuta.
Até quando será preciso lembrar que proteger é também educar?
A Operação 21 Dias de Ativismo segue até 10 de dezembro. Mas, para quem vive com medo, o enfrentamento é diário.
