A falta de risperidona nas Unções Básicas de Saúde de Macapá, medicamento utilizado no controle de crises comportamentais em parte das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), tem gerado revolta entre famílias que dependem do fornecimento gratuito.
O contraste ganhou força após a divulgação dos investimentos superiores a R$ 1 milhão para atrações nacionais do Carnaval da capital, incluindo apresentações de Araketu, Zé Felipe e Pedro Sampaio.
Medicamento acessível, impacto enorme
A risperidona pode custar entre R$ 21,90 e R$ 30 por frasco na rede privada, valor que ainda assim é inviável para muitas famílias que precisam do uso contínuo.
O medicamento é indicado para:
• controle de irritabilidade
• redução de crises comportamentais
• regulação emocional
• melhora da convivência social e escolar
Sem o uso regular, pais relatam aumento de crises, regressões comportamentais e dificuldades na permanência escolar.
Denúncia expôs desabastecimento
Na semana passada, mães denunciaram a ausência do medicamento nas UBS da capital. Após a repercussão, a Prefeitura confirmou o desabastecimento e atribuiu a falta a dificuldades enfrentadas por fornecedores.
Mesmo com a justificativa, famílias afirmam que a interrupção do tratamento provoca impactos imediatos na rotina das crianças.
Inclusão escolar e cuidado em debate
A pauta do autismo ganhou ainda mais repercussão após o caso de uma criança autista encontrada dormindo no chão do refeitório de uma escola municipal, episódio que gerou indignação pública.
Na sequência, uma carta atribuída a professoras denunciou falta de estrutura e profissionais para garantir inclusão adequada de alunos com TEA.
Nem mesmo o Carnaval diminuiu a repercussão dos casos, que continuam mobilizando famílias e educadores.
Prioridades sob questionamento
A divulgação dos investimentos em atrações nacionais reacendeu o debate sobre prioridades na aplicação de recursos públicos.
Enquanto o Carnaval movimenta a economia e atrai turistas, pais e mães afirmam que a garantia de medicamentos essenciais e estrutura adequada para inclusão deveria ser tratada como prioridade permanente.
O prefeito de Macapá, Antônio Furlan, e a primeira-dama Rayssa Furlan são pais de uma criança com TEA e frequentemente destacam a importância da inclusão em agendas institucionais. Diante das recentes denúncias, famílias afirmam esperar que essa sensibilidade se traduza em políticas públicas efetivas.

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