Um dos momentos mais aguardados do "Ciclo do Marabaixo 2025" acontece neste sábado (24): a tradicional retirada dos mastros nas matas da comunidade quilombola do Curiaú. Ao som das caixas, no balançar das bandeiras e com as cantigas tradicionais – os "ladrões" –, os grupos marabaixeiros, com apoio do Governo do Amapá, promovem um encontro único de cultura e confraternização.
A retirada dos mastros é um ritual ancestral realizado pelos grupos Berço do Marabaixo, Raimundo Ladislau, Marabaixo do Pavão, Associação Zeca e Bibi Costa (Azebic), União Folclórica da Campina Grande e Santíssima Trindade de Casa Grande. A atividade é um dos principais atos das celebrações em homenagem ao Divino Espírito Santo e à Santíssima Trindade e, também, reforça a conscientização ambiental: para cada árvore retirada, uma muda da mesma espécie é plantada, reafirmando o respeito à natureza e à mata.
O local escolhido no Curiaú é uma área de mata às margens da Rodovia AP-070. O momento precede um marabaixo conjunto à beira da estrada, o famoso “marabaixão”, e um almoço coletivo para coroar a retirada.
Fé, tradição e protagonismo feminino
"É um momento para celebrar junto o que temos em comum, que é a força da fé e da tradição que nos unem. Antigamente, essa retirada era feita só por homens. Hoje, isso mudou e os grupos são comandados por mulheres. O mastro fica em frente ao barracão e é o marco de onde acontecem as celebrações, ao Divino e à Santíssima", destaca a marabaixeira Elísia Congó, do grupo Raízes da Favela, celebrando o papel das mulheres na preservação da tradição.
Após a retirada dos mastros, as caixas rufarão no barracão Berço do Marabaixo, na Favela (Bairro Santa Rita), a partir das 17h, para o Cortejo do mastro pelas principais vias do bairro. Já no domingo, 25, o cortejo acontece pela manhã nos barracões Mestre Pavão, Azebic, Raimundo Ladislau e Raízes da Favela, com rodas de marabaixo pela noite para coroar e fechar o dia.
A diretora-presidente da Fundação Marabaixo, Josilana Santos, destaca o investimento recorde no Ciclo do Marabaixo em 2025, como parte da política de valorização do Governo do Estado às manifestações culturais afro-amapaenses. "É orientação do governador Clécio Luís ouvir e dialogar com os grupos e segmentos culturais, sempre respeitando a voz e o ponto de vista de seus organizadores. No caso do Ciclo, esse diálogo tem garantido a melhor maneira para o apoio, investimento e valorização da nossa mais autêntica manifestação cultural", pondera Josilana.
O Ciclo do Marabaixo 2025
Pelo terceiro ano consecutivo, o Governo do Amapá evidenciou a cultura marabaixera com a Central do Ciclo do Marabaixo, um espaço montado no Centro de Cultura Negra, no Laguinho, que serviu como prévia da grande programação.

Em 2025, o Ciclo do Marabaixo celebra o centenário de Benedita Guilherma Ramos, a "Tia Biló", matriarca do marabaixo do Laguinho. O investimento recorde para o festejo é de R$ 2,5 milhões, fruto de recursos do Tesouro Estadual e de emenda destinada pelo senador Randolfe Rodrigues.
Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Iphan desde 2018, essa manifestação típica reúne danças de roda, percussão e cantigas que relatam o cotidiano da população quilombola amapaense, somadas às festas do catolicismo popular. O Ciclo inicia sempre no Sábado de Aleluia e se estende até o domingo seguinte a Corpus Christi, este ano, de 19 de abril a 22 de junho.
Para esta edição, a organização anunciou novidades como dois eventos esportivos (corrida de rua e "pedal" pelos barracões), e os lançamentos de uma cartilha, uma revista e um documentário sobre a cultura marabaixeira amapaense. Outra inovação é o projeto “Marabaixando entre Versos e Ladrões pelas plataformas digitais”, que promoveu a gravação de 16 faixas de "ladrões" de Marabaixo, levando os cantos tradicionais para as principais plataformas de streaming.
