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Terça-feira, 10 de Março 2026

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Tambores da tradição: Ciclo do Marabaixo celebra retirada de mastros no Curiaú

Em um dos pontos altos da programação, grupos quilombolas de Macapá se unem ao rufar das caixas para buscar as árvores que simbolizam fé, ancestralidade e sustentabilidade.

Tambores da tradição: Ciclo do Marabaixo celebra retirada de mastros no Curiaú
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Um dos momentos mais aguardados do "Ciclo do Marabaixo 2025" acontece neste sábado (24): a tradicional retirada dos mastros nas matas da comunidade quilombola do Curiaú. Ao som das caixas, no balançar das bandeiras e com as cantigas tradicionais – os "ladrões" –, os grupos marabaixeiros, com apoio do Governo do Amapá, promovem um encontro único de cultura e confraternização.

A retirada dos mastros é um ritual ancestral realizado pelos grupos Berço do Marabaixo, Raimundo Ladislau, Marabaixo do Pavão, Associação Zeca e Bibi Costa (Azebic), União Folclórica da Campina Grande e Santíssima Trindade de Casa Grande. A atividade é um dos principais atos das celebrações em homenagem ao Divino Espírito Santo e à Santíssima Trindade e, também, reforça a conscientização ambiental: para cada árvore retirada, uma muda da mesma espécie é plantada, reafirmando o respeito à natureza e à mata.

O local escolhido no Curiaú é uma área de mata às margens da Rodovia AP-070. O momento precede um marabaixo conjunto à beira da estrada, o famoso “marabaixão”, e um almoço coletivo para coroar a retirada.

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Fé, tradição e protagonismo feminino

"É um momento para celebrar junto o que temos em comum, que é a força da fé e da tradição que nos unem. Antigamente, essa retirada era feita só por homens. Hoje, isso mudou e os grupos são comandados por mulheres. O mastro fica em frente ao barracão e é o marco de onde acontecem as celebrações, ao Divino e à Santíssima", destaca a marabaixeira Elísia Congó, do grupo Raízes da Favela, celebrando o papel das mulheres na preservação da tradição.

Após a retirada dos mastros, as caixas rufarão no barracão Berço do Marabaixo, na Favela (Bairro Santa Rita), a partir das 17h, para o Cortejo do mastro pelas principais vias do bairro. Já no domingo, 25, o cortejo acontece pela manhã nos barracões Mestre Pavão, Azebic, Raimundo Ladislau e Raízes da Favela, com rodas de marabaixo pela noite para coroar e fechar o dia.

A diretora-presidente da Fundação Marabaixo, Josilana Santos, destaca o investimento recorde no Ciclo do Marabaixo em 2025, como parte da política de valorização do Governo do Estado às manifestações culturais afro-amapaenses. "É orientação do governador Clécio Luís ouvir e dialogar com os grupos e segmentos culturais, sempre respeitando a voz e o ponto de vista de seus organizadores. No caso do Ciclo, esse diálogo tem garantido a melhor maneira para o apoio, investimento e valorização da nossa mais autêntica manifestação cultural", pondera Josilana.

O Ciclo do Marabaixo 2025

Pelo terceiro ano consecutivo, o Governo do Amapá evidenciou a cultura marabaixera com a Central do Ciclo do Marabaixo, um espaço montado no Centro de Cultura Negra, no Laguinho, que serviu como prévia da grande programação.

Em 2025, o Ciclo do Marabaixo celebra o centenário de Benedita Guilherma Ramos, a "Tia Biló", matriarca do marabaixo do Laguinho. O investimento recorde para o festejo é de R$ 2,5 milhões, fruto de recursos do Tesouro Estadual e de emenda destinada pelo senador Randolfe Rodrigues.

Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Iphan desde 2018, essa manifestação típica reúne danças de roda, percussão e cantigas que relatam o cotidiano da população quilombola amapaense, somadas às festas do catolicismo popular. O Ciclo inicia sempre no Sábado de Aleluia e se estende até o domingo seguinte a Corpus Christi, este ano, de 19 de abril a 22 de junho.

Para esta edição, a organização anunciou novidades como dois eventos esportivos (corrida de rua e "pedal" pelos barracões), e os lançamentos de uma cartilha, uma revista e um documentário sobre a cultura marabaixeira amapaense. Outra inovação é o projeto “Marabaixando entre Versos e Ladrões pelas plataformas digitais”, que promoveu a gravação de 16 faixas de "ladrões" de Marabaixo, levando os cantos tradicionais para as principais plataformas de streaming.

De Bubuia

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