Em um cenário de emergência em saúde pública devido ao surto de síndromes gripais e respiratórias, o Amapá registra um preocupante aumento de casos também entre a população indígena. Atualmente, seis crianças indígenas estão internadas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica do Hospital da Criança e do Adolescente (HCA) e do Pronto Atendimento Infantil (PAI), em Macapá. Outras cinco estão em observação nas enfermarias até esta sexta-feira, 6 de junho.
Para garantir um atendimento humanizado e inclusivo, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) tem adotado uma medida fundamental: a disponibilização diária de intérpretes indígenas. Esses profissionais são essenciais para auxiliar na comunicação entre as equipes médicas e os familiares das crianças, superando as barreiras linguísticas e culturais.
"Estamos ativamente trabalhando para que eles sejam compreendidos. Médicos e enfermeiros estão garantindo atendimento clínico, e estamos alertando as famílias indígenas a não esperarem muito tempo após os primeiros sintomas gripais para buscar ajuda", destacou Alessandra Macial, coordenadora estadual de Saúde Indígena (Coesi). A equipe de intérpretes abrange diversas etnias, como Tirió, Karipuna, Apalai, Galibis Marworno, Wajãpi, Palikur, Kaxuyana, entre outras, reforçando a abrangência do suporte.
O intérprete Araimare Waiãpi Waiana ressalta o papel crucial desses profissionais: "Na maioria das vezes, eles chegam tímidos e não conseguem descrever os sintomas da criança. Com nossa presença, se sentem mais acolhidos, e assim os médicos e enfermeiros conseguem realizar os atendimentos com mais precisão".
Alerta na saúde indígena e fluxo de atendimento
De acordo com a Coesi, houve um aumento expressivo nos casos de síndromes gripais entre crianças indígenas, especialmente em maio de 2025. A maioria dos pacientes afetados tem cerca de três anos de idade, o que exige atenção redobrada.
Dados de atendimentos reforçam o cenário: a Unidade Mista de Saúde de Pedra Branca registrou 37 atendimentos por síndromes gripais desde o início do ano, sendo 22 somente em maio. Já no Hospital Estadual de Oiapoque, 34 casos foram contabilizados de janeiro até o início de junho.
A coordenadora Alessandra Macial também lembra que existem Núcleos de Saúde Indígena em Macapá e nos demais municípios para o atendimento inicial. No entanto, os casos mais graves são encaminhados ao HCA/PAI para tratamento especializado. Atualmente, as crianças internadas e seus familiares recebem suporte completo nos ambulatórios específicos das unidades, assegurando que, além do tratamento médico, as famílias se sintam compreendidas e apoiadas.
