O som do Amapá, forjado entre a linha do Equador e as águas do rio Amazonas, atravessou fronteiras e chega neste sábado (20) ao coração do samba carioca. Na quadra da Estação Primeira de Mangueira, quatro composições com DNA amapaense disputam a semifinal do concurso que escolherá o samba-enredo da verde e rosa para o Carnaval 2026.
O tema não poderia ser mais simbólico: “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”. A história de um personagem que traduz a essência da floresta e da cultura popular agora ecoa no templo do samba brasileiro, levando junto a voz de quem canta do extremo norte.
Sambas que nasceram no Amapá e chegam à Sapucaí
Dois dos sambas que sobem ao palco neste sábado foram escolhidos em seletiva no próprio Amapá. O de número 103, assinado por Verônica dos Tambores, Piedade Videira, Laura do Marabaixo, Antonio Neto, Clóvis Júnior e Marcelo Zona Sul, e o de número 105, de Francisco Lino, Hickaro Silva, Camila Lopes, Silmara Lobato e Bruno Costa. Ambos carregam no ritmo e na poesia o cheiro da mata, o batuque dos tambores e a memória do povo tucuju.
Outros dois sambas, inscritos diretamente no Rio, também têm a marca do Amapá: o de número 11, com participação de Wendel Uchoa, e o de número 15, de Joãozinho Gomes. São vozes distintas, mas unidas pelo mesmo desejo: fazer da Amazônia protagonista no maior espetáculo cultural do Brasil.
Entre Macapá e a Marquês de Sapucaí
Para o governador Clécio Luís, a escolha do enredo pela Mangueira é um marco. “O Carnaval é a maior expressão cultural do Brasil e vetor de economia criativa. O Amapá será divulgado positivamente, tanto aqui como na Marquês de Sapucaí. O mundo inteiro vai saber mais sobre o nosso estado”.
A secretária de Cultura, Clicia Vieira Di Miceli, reforça o simbolismo. “A presença dos sambas do Amapá na semifinal mostra a força da nossa musicalidade. Estamos levando o som da Amazônia para o coração do carnaval carioca.”
Arte que não conhece fronteiras
Na quadra da Mangueira, os versos compostos às margens do Amazonas ganharão novos ouvidos. Mais do que competir, os compositores amapaenses mostram que a cultura do estado é feita para o mundo, capaz de emocionar, ensinar e celebrar.
O Amapá, onde a floresta fala e o tambor responde, será ouvido no sábado à noite por milhares de vozes. Se a vitória vier, será também da identidade de um povo que, entre o Equador e a Amazônia, aprendeu a transformar luta em canto.
Conheça os sambas selecionados na etapa Amapá:
- Samba nº 103, “Verônica dos Tambores”
- Samba nº 105, "Francisco Lino e Parceria"
