Enquanto grandes nomes da música nacional sobem aos palcos do Macapá Verão com cachês milionários pagos integralmente de forma antecipada, os artistas locais da capital amapaense enfrentam uma realidade bem diferente: meses de espera por pagamentos irrisórios da Fundação Municipal de Cultura (Fumcult). O descaso é tamanho que, quando ousam reclamar, ainda correm o risco ficarem de fora em futuros editais.
A situação veio à tona com notas de repúdio e cobranças públicas de artistas que participaram de eventos promovidos pela Prefeitura, como o Carnaval e outras programações culturais. A burocracia e a falta de respeito com os profissionais da cultura são as principais queixas.
A saga do pagamento para quem faz a cultura local
Sérgio Costa, ativista cultural e representante da banda Mundo Kids, expressou sua "mais profunda insatisfação" com o atraso no pagamento de uma apresentação realizada em 8 de março, via credenciamento da Fumcult.
"Cumprimos com responsabilidade e dedicação nossa participação no evento, confiando no compromisso e no respeito que a instituição deveria ter com os artistas e trabalhadores da cultura. No entanto, passados vários meses, até o momento o pagamento devido ainda não foi efetuado, gerando não apenas frustração, mas também prejuízos à nossa equipe", declarou Costa, que também representa a Shibaki Produção. Ele exigiu "uma resposta imediata da Fumcult e a regularização do nosso pagamento com a urgência que a situação exige", lembrando que "a valorização da cultura começa pelo respeito aos profissionais que a constroem diariamente".
Outro a se manifestar foi Agenor Junior, que cobrou à Fumcult e à Prefeitura de Macapá uma "explicação oficial quanto à demora no pagamento dos artistas que prestaram serviços durante o período do Carnaval, via credenciamento". Ele ressaltou que a falta de remuneração compromete o sustento dos profissionais e "demonstra desvalorização do setor cultural da nossa cidade".
Enquanto os artistas locais se desdobram para sobreviver com cachês que variam entre R$ 3 mil e R$ 10 mil, enfrentando meses de calvário para receber, o contraste com os cachês milionários de atrações nacionais, pagos integralmente antes do show, levanta sérios questionamentos sobre as prioridades e o tratamento dado à cultura e aos seus produtores em Macapá. A falta de transparência e o risco de retaliação para quem cobra evidenciam um cenário preocupante para a cena artística local.
