Ao som das caixas e ao balançar das bandeiras, os sete grupos culturais do Marabaixo receberam o multiartista Carlinhos Brown para a emocionante retirada dos mastros nas matas do quilombo do Curiaú, na manhã deste sábado (24). O ritual, um dos pontos altos do Ciclo do Marabaixo e apoiado pelo Governo do Amapá, celebrou a união e a rica herança cultural da região, reforçando a identidade amapaense.
A retirada dos mastros é um momento de profunda união e confraternização, que reuniu integrantes dos grupos tradicionais Berço do Marabaixo, Raimundo Ladislau, Marabaixo do Pavão, Associação Zeca e Bibi Costa (Azebic), União Folclórica da Campina Grande e Santíssima Trindade de Casa GranRmrm

Além do forte apelo cultural, o evento carregou uma importante mensagem de conscientização ambiental: para cada árvore retirada, uma muda da mesma espécie foi plantada pelas crianças, um gesto que reforça o respeito à natureza e a preservação das matas.
Carlinhos Brown exalta a relevância nacional do Marabaixo
Carlinhos Brown, que é embaixador do Marabaixo, se juntou aos festeiros para adentrar uma área de mata às margens da Rodovia AP-070. Lá, cada grupo escolheu a árvore para o corte e a posterior confecção de um dos elementos mais importantes da cultura marabaixeira. O multiartista descreveu o momento como a preservação da maior identidade cultural do povo amapaense.
"O Ciclo do Marabaixo, com seus sete festeiros, tem um significado enorme para o Brasil, que passa a conhecer melhor o Amapá e sua riqueza histórica e cultural", destacou Carlinhos Brown. Ele também mencionou a importância do legado de nomes como o "doutor Sacaca", ressaltando o conhecimento sobre ervas e a necessidade de preservar tanto a floresta quanto as tradições. "A ancestralidade nos une e esse momento é prova disso", complementou.
O artista iniciará uma série de visitas aos barracões, tanto na zona urbana quanto rural de Macapá, onde acontece a programação do Ciclo. Para Laura Silva, diretora-presidente adjunta da Fundação Marabaixo, preservar o marabaixo é valorizar a tradição e o legado dos antepassados. "O Marabaixo não é só cultura e tradição, mas é também resistência. A resistência de homens e mulheres que doaram suas vidas e através de seus legados nos permitiram chegar até aqui", refletiu Laura.
Compromisso governamental
Clicia Vieira Di Miceli, secretária de Estado da Cultura, afirmou que o apoio ao Ciclo do Marabaixo é um compromisso do Governo do Estado com a preservação, valorização e difusão dessa expressão cultural. "Cada etapa que compõe a ritualística do Ciclo do Marabaixo, como a tradicional Retirada dos Mastros, é parte indissociável desse patrimônio imaterial do Amapá", frisou a gestora.
Neste sábado, as caixas ainda rufam no barracão Berço do Marabaixo, na Favela (bairro Santa Rita), com o Cortejo do mastro pelas principais vias do bairro a partir das 17h. Já no domingo, 25, os cortejos acontecem pela manhã nos barracões Mestre Pavão, Azebic, Raimundo Ladislau e Raízes da Favela, culminando com rodas de marabaixo à noite para coroar e fechar o dia.
Em 2025, o Ciclo do Marabaixo celebrará o centenário de Benedita Guilherma Ramos, a "Tia Biló", matriarca do marabaixo do Laguinho. O investimento recorde para o festejo é de R$ 2,5 milhões, provenientes do Tesouro Estadual e de emenda destinada pelo senador Randolfe Rodrigues.

Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Iphan desde novembro de 2018, a manifestação típica reúne danças de roda, percussão e cantigas que narram o cotidiano da população quilombola amapaense, somadas às festas do catolicismo popular. O ciclo sempre inicia no Sábado de Aleluia e se estende até o domingo seguinte a Corpus Christi, este ano, de 19 de abril a 22 de junho.
