Quando o sol baixa sobre as pedras milenares de Calçoene, as palavras também se levantam. No Parque do Solstício, vozes de mulheres ocupam o silêncio antigo com poesia, corpo e presença.
E nesta sexta-feira (19), o Parque do Solstício, conhecido como o Stonehenge da Amazônia, deixa de ser apenas vestígio arqueológico para virar palco vivo.
Ali acontece a performance “Ciranda das Matintas”, reunindo escritoras amapaenses em uma intervenção que mistura literatura, ancestralidade e ocupação cultural.
A ação marca a culminância do projeto Equinócio das Matintas, contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), com recursos do Governo Federal e gestão da Secretaria de Estado da Cultura (Secult-AP). Não é só evento. É gesto político, simbólico e coletivo.
Cerca de 70 escritoras do Amapá participam do projeto. Quarenta delas estarão representadas no Varal Literário, com poemas e textos expostos ao vento, ao olhar curioso e ao toque do público. As palavras não ficam presas ao papel. Circulam.
Segundo a escritora Leacide Moura, uma das coordenadoras da Ciranda, a proposta é simples e profunda: ocupar artisticamente o parque, envolver escritoras de Macapá e Calçoene, doar livros e registrar tudo em vídeo-arte. Literatura como presença física no território.

O projeto começou ainda em fevereiro de 2025, com visita técnica ao local. Vieram depois ensaios, reuniões, articulações e parcerias. A culminância tem coordenação de Leacide Moura, Cricilma Ferreira, Iramel Lima, Jaciara Martins e Marília Shybaima, com colaboração de escritoras, comunicadoras e da equipe da Macondo Produções, responsável pelo registro audiovisual.
O que aparece em cena agora carrega meses de preparação invisível. Trabalho coletivo, silencioso, persistente.
Livros que ficam depois da poesia
Antes da Ciranda, a partir das 14h, ocorre o Sarau Equinócio das Matintas, na área da Igreja Nossa Senhora da Conceição, com cortejo e recitais de autoras de Macapá e Calçoene. Durante a programação, serão doadas 50 obras infantojuvenis para quatro escolas do município e cerca de 80 livros ao público presente.
As palavras seguem caminho. Entram em escolas, casas, mochilas. Algumas ficam.
O que permanece quando a performance acaba?
Todo o material produzido será disponibilizado a partir de 2 de janeiro, em formato de vídeo-arte, ampliando o alcance da ação e reforçando o Parque do Solstício como patrimônio vivo do povo amapaense.
Quando a ciranda termina, sobra o eco. O som das vozes, o cheiro do papel, o movimento dos corpos entre pedras antigas. Literatura, ali, não passa. Ela fica.
📌 Serviço | Ciranda das Matintas em Calçoene
O que: Performance literária Ciranda das Matintas
Projeto: Equinócio das Matintas (PNAB)
📅 Data: 19 de dezembro
⏰ Horários:
• 14h – Sarau Equinócio das Matintas
• 17h – Performance Ciranda das Matintas
📍 Locais:
• Sarau: Área da Igreja Nossa Senhora da Conceição
• Ciranda: Parque do Solstício (Stonehenge da Amazônia), Calçoene
