O choro de Maria Gabriela não começou em um quarto silencioso, mas no encontro entre o tempo e a pressa. Antes de vir ao mundo, nesta segunda-feira (20), ela cruzou o céu.
Na comunidade ribeirinha de Rio Salvadorzinho, em Afuá, no Pará, a dor chegou primeiro. Marinilza Andrade dos Santos, 26 anos, com 39 semanas de gestação, entrou em trabalho de parto cercada por água e distância. Ali, onde o mapa hesita e a estrada não chega, o chamado virou voo.
O helicóptero do Grupo Tático Aéreo pousou em terreno alagado como quem rasga o isolamento. A bordo, a esperança veio com uniforme: médicos, enfermeiros, precisão. O marido, Claudinei Nunes da Silva, carregava mais que apreensão, carregava o tempo correndo contra.
“Ela começou a sentir dores ainda na comunidade. Chamamos o GTA e eles chegaram rápido. Eu só pensava se ia dar tempo”, contou.
Durante o trajeto até Macapá, as contrações se intensificaram, como se o corpo soubesse que a chegada já estava próxima. O helicóptero tocou o solo e, logo depois, a vida pediu passagem.
Dentro de uma ambulância, sem cenário ideal, mas com mãos firmes, Maria Gabriela nasceu.
“O procedimento foi feito com total segurança. A equipe é treinada para esse tipo de situação”, explicou o médico Jefferson Barreto.
Mãe e filha seguiram estáveis para o Hospital da Mulher Mãe Luzia. O susto virou alívio. A distância virou detalhe.
Nos bastidores dessa travessia, existe uma engrenagem que não pode parar. O Serviço Aeromédico do Governo do Amapá, integrado entre saúde e segurança, já soma dezenas de atendimentos e encurta aquilo que antes parecia intransponível.
Porque há lugares onde o tempo não espera.
E há histórias que só chegam ao mundo porque alguém decidiu voar.
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