Estagiários contratados pela Prefeitura de Macapá, através do Instituto Inova, para atuarem nas escolas municipais, procuraram a reportagem sob a condição de anonimato, temendo represálias e possíveis demissões, para denunciar as condições precárias de trabalho e os constantes atrasos no pagamento de seus salários.
Segundo os relatos, apesar de serem formalmente estagiários, eles desempenham funções cruciais como cuidadores de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), com uma remuneração considerada irrisória e pagamentos que chegam a atrasar quase dois meses.
Os estudantes relatam receber um valor mensal de R$ 703,90, sendo R$ 661,00 referentes à bolsa-auxílio do estágio e apenas R$ 42,90 de vale-transporte. Eles alegam que esse valor é insuficiente sequer para cobrir uma semana de deslocamento, considerando a jornada de seis horas diárias, de segunda a sexta-feira, totalizando 30 horas semanais.
A principal queixa dos estagiários é o acúmulo de funções, assemelhando-se ao trabalho de um professor auxiliar e, principalmente, de um cuidador especializado. Eles afirmam cuidar de crianças com níveis 2 e 3 de autismo, necessitando de atenção e suporte intensivos. A única tarefa que não lhes é atribuída seria a limpeza das dependências escolares. Os estagiários suspeitam que a prefeitura esteja utilizando a modalidade de contrato de estágio como uma forma de suprir a demanda por cuidadores, cujo salário seria significativamente maior.
A reportagem tentou contato com o Instituto Inova, responsável pela contratação dos estagiários, para obter um posicionamento sobre as denúncias e os atrasos nos pagamentos, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.
