O Governo do Amapá declarou, na terça-feira (21), Situação de Emergência em Saúde Pública devido à alta demanda de pacientes com síndromes respiratórias, principalmente o público infantil. A medida visa ampliar a capacidade de atendimento nos hospitais da rede pública estadual, que registram ocupação máxima.
Os hospitais mais afetados são o Hospital da Criança e do Adolescente (HCA) e o Pronto Atendimento Infantil (PAI), que operam com 100% de ocupação nos leitos clínicos e de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Na última semana, houve um aumento de 25% nas internações. De abril até 20 de maio, o PAI atendeu 1.215 crianças com síndrome gripal, sendo 257 com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).
Medidas de urgência e vírus em circulação
Para garantir a assistência aos pacientes, o governo está abrindo novos leitos, reorganizando o fluxo de atendimento e adaptando salas vermelhas (de suporte avançado à vida) para funcionar como semi-intensivas, além de salas brancas (com controle rigoroso de ambiente).
A Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS) informa que o Amapá está em nível de alerta ou risco de surto de SRAG pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causador da bronquiolite. Casos de Influenza A e B e Covid-19 também estão em circulação, conforme o Alerta Epidemiológico nº 8 da SVS e o Boletim InfoGripe da Fiocruz.
Apelo à população e cenário nos hospitais
A secretária de Saúde do Amapá, Nair Mota, ressalta que, embora os casos fossem esperados para o período sazonal do inverno amazônico, os atendimentos estão acima do previsto. "O governador Clécio Luís está comprometido em tomar todas as medidas necessárias para garantir assistência em saúde, mas é fundamental que as famílias e toda a população contribuam tomando os devidos cuidados preventivos”, enfatizou.
A alta demanda não se restringe à rede pública. O Hospital da Mulher Mãe Luzia também registra aumento de casos: de janeiro a 21 de maio, foram 51 bebês de até 28 dias com síndromes respiratórias, com 14 atendimentos em UTI Neonatal e 4 intubações. Muitos recém-nascidos contraíram o vírus em casa após a alta.
No Hospital Estadual de Santana, mais de 3 mil pacientes deram entrada com síndromes respiratórias entre abril e 20 de maio. A unidade tem intensificado ações educativas de prevenção, reforçando a importância da higiene básica e da vacinação para minimizar o impacto do inverno amazônico.
