Na noite abafada da terça-feira (22), em Laranjal do Jari, um bebê travava sua primeira e mais importante batalha: respirar. Aos trinta dias de vida, Dayglesson Andrade Pedrada foi colocado em uma aeronave equipada com UTI neonatal do Grupo Tático Aéreo (GTA), que pela primeira vez cruzava os céus do Amapá com esse tipo de missão.
Não era apenas uma remoção médica. Era um ato inédito, um gesto de humanidade e ousadia do Governo do Amapá, que investiu onde poucos ousam: na saúde dos invisíveis. A bordo, entre fios, monitores e a tensão dos profissionais, estava mais do que uma criança. Estava o símbolo de uma política pública que começa a entender que distância não pode ser sentença de morte.

Dayglesson apresentava um quadro grave de bronquiolite, infecção que compromete os pulmões e exige cuidados intensivos. Ao ser intubado no Hospital Estadual de Laranjal do Jari, a situação piorou: teve uma parada cardiorrespiratória antes mesmo de embarcar. A equipe do Samu reagiu como quem tem consciência do que carrega: reanimaram o pequeno corpo, estabilizaram os sinais e colocaram-no a bordo do voo que salvaria sua vida.
O médico Rogério Silva, do Samu, foi direto: “Durante a remoção terrestre até a aeronave, o paciente teve uma parada. Conseguimos reanimá-lo. Estabilizamos e seguimos para Macapá”. E prosseguiu com uma frase que resume o que foi feito ali: “Essa estrutura reflete o compromisso do Governo do Estado com a vida, mesmo nas áreas mais afastadas”.
Para a mãe, Dayara Maia, o mundo virou de cabeça para baixo. Era sua primeira viagem de avião, feita em meio ao choro, à fé e à culpa que só as mães conhecem. Ao ver o filho nos cuidados da equipe dentro do hangar, ela chorou – dessa vez de alívio. “Se eu pudesse, daria minha vida por ele”, sussurrou.
A operação aérea foi resultado de uma política pública que une logística, coragem e estratégia: um esforço conjunto das secretarias de Saúde (Sesa) e de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), integrando o GTA e o Samu em um Estado cuja geografia exige respostas urgentes e corações preparados.
Ao pousar em Macapá, Dayglesson foi levado por uma ambulância de suporte avançado até o Hospital da Criança e do Adolescente (HCA), onde segue em observação. Seu nome agora carrega uma história que precisa ser contada – não só por ele, mas por cada criança do interior do Amapá que, até pouco tempo atrás, tinha como inimiga a distância.
Neste voo para a vida, o Amapá mostrou que quando o Estado olha para os mais frágeis, a política vira poesia e a saúde pública, finalmente, vira esperança.
