A praga conhecida como "vassoura-de-bruxa" continua a causar estragos nas plantações de mandioca em Tartarugalzinho, no extremo norte do Amapá, comprometendo a subsistência de centenas de famílias. Em resposta à crise, mais de 300 agricultores do município receberam, nesta segunda-feira (30), cestas básicas do Governo Federal, em uma ação emergencial articulada para mitigar os impactos da doença.
A entrega, viabilizada por um levantamento técnico da Defesa Civil municipal e estadual com apoio do Instituto de Extensão, Assistência e Desenvolvimento Rural do Amapá (Rurap), contou com o empenho do ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Goés, que articulou a liberação de recursos para a aquisição dos alimentos e o suporte imediato às famílias produtoras.
Kelson Vaz, diretor-presidente do Rurap, destacou os esforços do Governo do Amapá no enfrentamento à praga, que afeta lavouras em assentamentos e territórios indígenas. Segundo ele, a situação é grave, exigindo ações integradas de pesquisa, assistência técnica e políticas públicas.
Vaz relembrou as tentativas de 2023, quando uma parceria com a Embrapa introduziu quatro variedades de mandioca na Fazenda Asa Branca, visando multiplicar material genético sadio. "Infelizmente, essas sementes não resistiram, e parte do plantio foi perdido", lamentou. Uma segunda alternativa com variedades tradicionais indígenas — Xingu, Terê-Terê e Jacaré — também não mostrou tolerância à doença. "Continuamos os trabalhos para que nenhum produtor rural seja prejudicado", explicou.
Mesmo com resultados promissores iniciais em uma unidade demonstrativa da Embrapa, a praga voltou a se manifestar em menos de 15 dias, comprometendo novamente as plantas.
Atualmente, o Rurap mantém duas frentes de trabalho: o resgate de mais de 100 variedades do banco genético para testes de resistência e o acompanhamento das pesquisas da Embrapa, que projeta o desenvolvimento de uma variedade resistente em um prazo de cinco a sete anos.

O prefeito de Tartarugalzinho, Bruno Mineiro, enfatizou que, além da ajuda emergencial, o município busca ativamente alternativas para diversificar a produção agrícola local. "Estamos em diálogo com o Rurap, o Governo do Estado e o Governo Federal para investir em outras culturas, como banana, piscicultura e o que mais for viável. O objetivo é garantir novas opções enquanto a produção de farinha segue comprometida", afirmou.
Bruno também destacou medidas estruturais, como a perfuração de um poço de alta vazão no assentamento Itaubal, prevista para o segundo semestre, em parceria com a Codevasf. "A ideia é reduzir o impacto da estiagem no verão, especialmente nas comunidades mais afastadas da sede", explicou.
O agricultor Ubiratam do Carmo, um dos afetados, expressou o alívio com a ajuda. "Foi muito difícil ver nossas lavouras sendo destruídas e não ter como reagir. Essa ajuda chegou em um momento importante. Agora temos esperança de recuperar o que foi perdido e seguir em frente", disse. A ação integra um conjunto de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar e à recuperação econômica das áreas afetadas, com monitoramento constante e ampliação das medidas de apoio.
