A cortina se abriu, as luzes brilharam e logo se apagaram. O eco da voz do tenor Thiago Arancam, que inaugurou o novo teatro de Macapá há um mês, ainda é o único som que preenche o espaço. Depois da estreia, o que restou foi um cenário mudo: um prédio bonito por fora, mas vazio por dentro.
Um palco sem alma e sem luz
O teatro, inaugurado numa sexta-feira (19) com festa e discurso, teve uma única noite de brilho: a apresentação do tenor Thiago Arancam e, no dia seguinte, uma peça teatral. Desde então, o palco permanece apagado.
Os equipamentos de som e iluminação usados na inauguração eram alugados. Foram montados apenas para o evento e desmontados logo depois.
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Por conta disso o teatro segue sem programação e sem estrutura própria de som e luz, o que o transforma em um espaço que nasceu pronto apenas para a foto, mas não para a arte.
Obras inauguradas pela metade: o mesmo roteiro
O caso não é isolado. A cena repete o roteiro de outras inaugurações apressadas da atual gestão. Em julho de 2024, o prefeito Antônio Furlan também inaugurou o Aquário do Bioparque da AmaFurlan, mas com um detalhe: um aquário sem peixes. O espaço foi aberto sem obedecer aos padrões legais de licenciamento ambiental, o que resultou em multa de R$ 10 mil aplicada à Fundação Bioparque.
Assim como o aquário sem vida, o teatro agora encena a ausência: um monumento à pressa, à aparência, à política do espetáculo.
O teatro que virou metáfora
Mais do que um prédio sem luz, o teatro de Macapá virou metáfora de um tempo em que a forma substitui o conteúdo. Em que a arte serve de cenário, não de essência. A cidade ganhou um palco, mas perdeu a peça.
Num lugar onde a cultura deveria pulsar, reina o silêncio. E o silêncio, neste caso, é mais do que ausência de som é ausência de compromisso.
