Um pequeno imóvel no bairro do Laguinho, em Macapá, tornou-se símbolo de gastos desproporcionais com recursos públicos. A prefeitura assinou contrato de 12 meses no valor de R$ 660 mil para abrigar o setor de bilhetagem da CTMac.
O escritório, localizado na Avenida Pedro Américo, nº 54, tem fachada simples, com no máximo 4 metros de frente por 5 de fundos. Apesar da dimensão modesta, o contrato prevê pagamento de R$ 55 mil mensais, valor muito superior ao aluguel de uma loja em shopping center de Macapá, que varia entre R$ 5 mil e R$ 8 mil.
Aliás com R$ 600 mil é possível comprar um imóvel naquelas imediações, com espaço maior e mais confortável, tanto para quem trabalha lá quanto para os usuários.
Na prática, o pequeno ponto comercial transformou-se no metro quadrado mais caro do Amapá, ultrapassando valores praticados até em bairros de alto padrão da capital.
O contrato, firmado sem licitação, foi assinado em maio entre a empresa D.B. Imóveis e o presidente da CTMac, vereador licenciado João Mendonça (PRD). A mesma imobiliária já esteve envolvida em outro escândalo: em junho, o então secretário de Educação, Madson Millor Rodrigues, alugou por R$ 25 mil mensais um espaço que pertencia à própria tia, para servir de depósito da Semed. O caso resultou em sua exoneração.
Apesar do episódio anterior, o prefeito Antônio Furlan autorizou o novo contrato, que agora supera em mais que o dobro os valores do escândalo anterior.
Um levantamento feito pelo site De Bubuia entre 2023 e 2024 mostra que a prefeitura de Macapá gastou quase R$ 10 milhões em aluguéis de prédios improvisados para serviços públicos. Entre eles, escolas que permanecem em reformas intermináveis e setores administrativos que poderiam estar em prédios próprios.
Enquanto isso, a população questiona: por que a prefeitura prefere pagar cifras milionárias em aluguéis a construir estruturas permanentes?
