O que parece apenas gelo, na prática, é margem de lucro, acesso a mercado e sobrevivência da produção. Um investimento de R$ 300 mil do Governo do Amapá tenta resolver um dos principais gargalos da pesca em Calçoene: a conservação do pescado.
Os recursos, repassados por meio da Agência de Fomento do Amapá (Afap), foram aplicados na estruturação de uma fábrica de gelo administrada pela Cooperativa Agroextrativista de Calçoene (Agrocal). O governador Clécio Luís acompanhou a entrega e destacou o impacto direto na cadeia produtiva.
“Com este investimento, garantimos que a nossa produção de pescado tenha o suporte necessário para crescer com qualidade. Apoiar a Agrocal nesta fábrica de gelo é fortalecer o pescador, gerar emprego na ponta e levar o produto amapaense a novos mercados”, afirmou.
Por que a fábrica de gelo pode mudar a economia local?
Na lógica da pesca, tempo é dinheiro. Sem estrutura adequada de conservação, parte da produção se perde antes mesmo de chegar ao consumidor. O gelo, nesse cenário, deixa de ser detalhe operacional e passa a ser peça estratégica.
Com a nova estrutura, a Agrocal ganha capacidade de atender pescadores e distribuidores, mantendo o frescor do pescado por mais tempo. Isso abre espaço para negociação em mercados mais exigentes e potencialmente mais lucrativos.
Como o investimento impacta renda e emprego?
Ao reduzir perdas e aumentar a qualidade do produto, o efeito esperado é direto na renda dos pescadores. Produtos melhor conservados tendem a alcançar preços mais altos e ampliar o alcance comercial.
“Com este apoio, conseguimos estruturar nossa fábrica de gelo e resolver um gargalo logístico. Agora temos autonomia para garantir a conservação do pescado desde a captura até a mesa do consumidor. Isso traz segurança para o produtor e agrega valor ao produto”, explicou o diretor da Agrocal, Edelson Gonçalves.
A expectativa do governo é que a medida fortaleça toda a cadeia produtiva, estimulando geração de emprego e circulação de renda nas comunidades que dependem da pesca.
Qual o papel da Afap na estratégia econômica?
O uso de crédito e fomento produtivo via Afap integra uma estratégia mais ampla de modernização de infraestruturas rurais e industriais. A ideia é atacar pontos críticos que limitam a competitividade local.
Para a vereadora de Calçoene, Gleu da Pesca, o impacto vai além da estrutura física: “Esse fomento é uma vitória para os nossos pescadores. Estruturar a fábrica significa dar dignidade ao trabalhador, garantindo que ele não perca sua produção por falta de conservação e consiga um preço justo no mercado”.
A entrega contou ainda com a presença do prefeito Toinho Garimpeiro, vereadores e representantes da comunidade pesqueira, que acompanham de perto uma mudança que pode redefinir o valor do pescado produzido na região.

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