A espera por justiça atravessou quase uma década até chegar ao desfecho no Tribunal do Júri de Santana. Na quinta-feira (23), cinco réus foram condenados a mais de 20 anos de prisão pelo assassinato brutal da adolescente Vitória Camile, de 15 anos, morta em 2017 com mais de 30 facadas.
O caso teve forte repercussão no Amapá pela violência do crime e pelo fato de o corpo da vítima ter sido jogado nas proximidades do Fórum de Santana. Para o Ministério Público do Amapá (MP-AP), Vitória foi morta para ser silenciada.
Júri reconhece feminicídio e quatro qualificadoras
O Conselho de Sentença acolheu integralmente a tese defendida pelo promotor de Justiça David Zerbini. Os jurados reconheceram o homicídio com quatro qualificadoras: feminicídio, motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
A emboscada e a superioridade numérica dos envolvidos foram apontadas como elementos que impediram qualquer chance de reação da adolescente.
Crime teria sido encomendado para silenciar testemunha
Segundo a acusação, Vitória Camile teria presenciado uma tentativa de homicídio envolvendo um dos mandantes. Por isso, sua morte teria sido encomendada para impedir que ela testemunhasse.
Ainda de acordo com a tese acolhida pelo júri, os executores receberiam dinheiro e celulares como recompensa pelo crime.
O casal José Aderlindo Mendes Carvalho e Hileny dos Anjos Araújo foi apontado como mandante da morte. Já Jéssica Torres, Janaína Baia dos Santos, Dannilson Borges Torres e uma adolescente teriam participado da execução.
Penas passam de 20 anos em regime fechado
O juiz Julle Anderson Mota determinou o início imediato do cumprimento das penas, todas em regime inicial fechado:
- Dannilson Borges Torres foi condenado a 26 anos, 6 meses e 20 dias de reclusão.
- Janaína Baia dos Santos recebeu pena de 20 anos e 7 meses de reclusão.
- Jéssica Torres foi condenada a 23 anos e 4 meses de reclusão, com autorização para cumprimento provisório em regime domiciliar por ser cadeirante.
- Hileny dos Anjos Araújo recebeu pena de 23 anos e 4 meses de reclusão.
- José Aderlindo Mendes Carvalho também foi condenado a 23 anos e 4 meses de reclusão.
Família acompanhou julgamento que durou quase 15 horas
O julgamento durou quase 15 horas e foi acompanhado por familiares de Vitória Camile, que esperavam havia quase dez anos por uma resposta da Justiça.
Com a decisão, o Tribunal do Júri reconheceu a gravidade do crime e confirmou a tese do Ministério Público de que a adolescente foi vítima de uma execução planejada, marcada por crueldade e tentativa de apagar uma testemunha.

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