Entre muros altos, portões de ferro e rotinas rígidas, existe um objeto pequeno capaz de abrir portas invisíveis: um livro.
É com essa ideia que o Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP) iniciou a 2ª Campanha de Doação de Livros “Leitura que Liberta: Doe Livros, Transforme Vidas!”, uma iniciativa voltada às pessoas privadas de liberdade custodiadas no Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen).
A campanha começou no dia 5 de março e segue até 5 de abril, mobilizando instituições e a sociedade para arrecadar livros de autoajuda, história, romance, ficção e biografias.
Por trás da proposta existe um princípio simples: dentro do sistema prisional, a leitura pode se tornar uma ferramenta de reconstrução.
Quando um livro vale dias de liberdade
A iniciativa está alinhada à Resolução nº 391/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que regulamenta a remição de pena por meio da leitura.
Na prática, funciona assim: cada obra lida pode garantir quatro dias de redução da pena. Ao longo de um ano, um interno pode ler até 12 livros, o que permite uma redução de até 48 dias de pena.
Mas, para que o benefício seja concedido, não basta apenas virar páginas. Depois da leitura, o detento precisa escrever um relatório ou resenha, comprovando que realmente compreendeu o conteúdo.
Mais do que remição de pena
Para o defensor público Ricardo Carvalho, titular da 1ª Defensoria de Execução Penal, a campanha tem um impacto que vai muito além do cálculo da pena.
Segundo ele, a leitura representa algo que muitos internos nunca tiveram. “Quando analisamos o panorama social das pessoas que compõem o Iapen, percebemos que a grande maioria sequer teve acesso à leitura ao longo da vida, especialmente à leitura recreativa. O acesso aos livros vai além da remição de pena. Ele pode transformar vidas”, afirmou.
Em muitos casos, explica o defensor, o primeiro livro lido dentro da prisão pode ser também o primeiro livro da vida inteira de alguém.
Preparação para voltar à sociedade
A psicóloga da 1ª Vara de Execuções Penais, Ana Cleyde Matias, destaca que a participação da sociedade é essencial para que o projeto funcione.
Segundo ela, cada livro representa mais do que conhecimento. Representa possibilidade.
“Ao ler, essas pessoas se identificam com histórias, conhecem outros mundos e passam a enxergar novas perspectivas de vida”, explicou.
O objetivo, segundo a equipe da Vara de Execuções Penais, é preparar os internos para um retorno mais consciente à convivência social.
Onde doar livros em Macapá
A campanha conta com pontos de arrecadação espalhados pela capital.
Postos de doação (05/03 a 05/04)
Fórum de Macapá
• Centro de Atendimento às Penas Alternativas e ao Reeducando (Cepar)
Defensoria Pública do Estado (DPE)
• Rua Eliezer Levy
• Avenida Procópio Rola
• Avenida Raimundo Álvares da Costa
Qualquer pessoa pode participar. Porque às vezes um livro não muda apenas uma história. Ele muda quem a está vivendo.

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