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Quinta-feira, 30 de Abril 2026
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O motorista do dinheiro: quem é Hulgo Corrêa no esquema investigado pela PF

Relatórios da Polícia Federal mostram que Hulgo conduziu empresário no saque de R$ 400 mil e mantém vínculo empresarial direto com o prefeito Furlan.

O motorista do dinheiro: quem é Hulgo Corrêa no esquema investigado pela PF
Hugo aparece nos relatórios como um homem de confiança do prefeito Furlan
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Os relatórios da Polícia Federal apontam Hulgo Márcio Bispo Corrêa como o motorista do veículo que transportou o empresário investigado no saque de R$ 400 mil em dinheiro vivo, episódio central da apuração sobre desvios ligados ao Hospital Geral de Macapá.

Mas quem é Hulgo e qual sua relação com o prefeito Antônio Furlan?

Segundo a PF, Hulgo é administrador e mantém vínculo funcional e/ou empresarial direto com o prefeito, surgindo de forma recorrente nos momentos em que o dinheiro se movimenta, nos locais sensíveis da rota e em contextos já conhecidos da corporação por episódios anteriores de desvio de recursos públicos.

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O saque de R$ 400 mil e o papel do motorista

No dia 23 de maio de 2025, a Polícia Federal monitorou o deslocamento de Rodrigo de Queiroz Moreira, empresário investigado, até uma agência do Banco do Brasil, onde foi realizado um saque em espécie de R$ 400 mil.

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De acordo com os relatórios, Hulgo Márcio Bispo Corrêa era o condutor do veículo utilizado no deslocamento, acompanhando o empresário antes e depois do saque. Para a PF, o papel de motorista nesse contexto integra a logística da movimentação de dinheiro fora do sistema bancário.

Repetição do padrão em nova diligência

A presença de Hulgo não se limita ao episódio de maio. Na manhã de 16 de junho de 2025, equipes da Polícia Federal voltaram a monitorar possíveis saques em espécie na agência do Banco do Brasil, no bairro Beirol.

Simultaneamente, outra equipe acompanhava as imediações do Laboratório Dr. Paulo Albuquerque, local já identificado como ponto sensível da rota do dinheiro em diligência anterior, ocorrida em 23 de maio de 2025.

Por volta das 10h45, um Chevrolet Onix prata, placa SAK-2D76, estacionou ao lado do laboratório. Do veículo desceu um indivíduo com as mesmas características físicas descritas nos relatórios ligados ao saque dos R$ 400 mil.

Conduta compatível com logística e coordenação

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Após sair do veículo, o indivíduo atravessou a rua e entrou na Padaria Nossa Senhora de Fátima, em frente ao laboratório, onde permaneceu por alguns minutos falando continuamente ao telefone celular. Em seguida, retornou ao carro.

Para a Polícia Federal, esse comportamento - espera em local neutro, comunicação constante e retorno coordenado - é compatível com ações de logística, monitoramento ou aguardo de sinal, comuns em operações envolvendo transporte de valores em espécie.

Durante todo o período, foram feitos registros fotográficos do veículo e do condutor.

Identificação formal e vínculo com o prefeito

Após cruzamento de dados em sistemas informatizados e fontes abertas, a Polícia Federal identificou formalmente o condutor como Hulgo Márcio Bispo Corrêa, qualificando-o como administrador.

O relatório destaca que Hulgo mantém vínculo funcional e/ou empresarial com o prefeito de Macapá, Antônio Paulo de Oliveira Furlan, informação registrada de forma expressa em item específico dos autos.

Bens e registros em nome do investigado

O relatório da Polícia Federal lista os veículos registrados em nome de Hulgo Márcio Bispo Corrêa, com modelos, anos e placas.

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As informações fazem parte do levantamento realizado durante a investigação e ajudam a compor o perfil do investigado, especialmente em apurações que analisam deslocamentos, rotinas e circulação de pessoas ao longo das diligências.

Histórico de comando conjunto na área da saúde

Adicionalmente, os relatórios analisados pela Polícia Federal apontam que Hulgo Márcio Bispo Corrêa exerceu a presidência da Fundação Amazônica de Cardiologia, entidade privada registrada sob o CNPJ 11.773.920/0001-69, cuja atividade econômica principal consistia na regulação de serviços nas áreas de saúde, educação, cultura e assistência social.

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Os documentos destacam que Antônio Paulo de Oliveira Furlan presidiu a fundação entre 24 de março de 2010 e 4 de dezembro de 2018, período anterior à sua eleição como prefeito de Macapá. Após esse intervalo, Hulgo Corrêa assumiu a presidência da entidade, sucedendo diretamente Furlan no comando da instituição.

Hulgo permaneceu à frente da fundação até a cessação de suas atividades, sendo registrado nos autos que a entidade se encontra atualmente inapta por omissão de declarações fiscais.

Para os investigadores, a sucessão direta na presidência da fundação reforça a relação de confiança e continuidade institucional entre Hulgo e Furlan, especialmente em estruturas ligadas à área da saúde, tema central das investigações em curso.

Conexão com investigações anteriores na saúde — resumo

Os relatórios da Polícia Federal registram que Hulgo Márcio Bispo Corrêa aparece em investigações anteriores ligadas à saúde municipal a partir de encontro fortuito de provas da Operação Carburante.

Segundo o IPL 2022.0036510, a análise de materiais apreendidos revelou indícios de esquema fraudulento de locação de veículos na Secretaria Municipal de Saúde de Macapá, com uso de verbas federais.

Nesse contexto, a PF aponta Hulgo como responsável por empresa da área da saúde ligada ao prefeito, registrando formalmente vínculo funcional e/ou empresarial com Antônio Furlan.

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O documento aponta que ele figura como responsável pela empresa Instituto de Medicina do Coração LTDA, de nome fantasia Clínica do Coração Dr. Furlan, com CNPJ citado nos autos.

Por que Hulgo se torna peça-chave

Na avaliação da Polícia Federal, o que sustenta a relevância de Hulgo não é um fato isolado, mas o conjunto de elementos documentados:

  • foi motorista no saque de R$ 400 mil em espécie;
  •  reaparece em novas diligências ligadas ao mesmo circuito;
  •  atua em locais sensíveis da rota do dinheiro;
  •  mantém vínculo funcional e/ou empresarial com o prefeito;
  • surge em investigações anteriores envolvendo a saúde municipal e verbas federais.

Esse conjunto posiciona Hulgo como elo operacional recorrente entre empresários, logística financeira e o núcleo político da Prefeitura de Macapá.

O que isso revela

Ao reconstruir deslocamentos, vínculos empresariais e conexões institucionais, a Polícia Federal sustenta que os caminhos do dinheiro coincidem com os caminhos das relações pessoais e empresariais.

Nesse cenário, Hulgo Márcio Bispo Corrêa deixa de ser um nome periférico e passa a ocupar papel central na engrenagem logística que sustenta a movimentação de recursos públicos fora dos canais formais.

Sobre os motoristas

 Importante esclarecer que Hulgo Márcio Bispo Corrêa não é o motorista pessoal do prefeito Antônio Furlan. De acordo com os relatórios da Polícia Federal, quem exercia a função de motorista do prefeito era Jerqueson da Costa Rodrigues, empregado doméstico com vínculo formal, identificado como o condutor do veículo em que a mochila com o dinheiro permaneceu após a troca de posse. Hulgo, por sua vez, aparece em outro momento da logística, como motorista do empresário no deslocamento para o saque em espécie, em contexto distinto dentro da investigação.

LEIA MAIS - O CAMINHO DA MOCHILA: COMO A PF RASTREOU R4 4500 ML ATÉ O PREFEITO DE MACAPÁ

De Bubuia

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