Uma pesquisa eleitoral divulgada nesta quarta-feira (29) colocou o ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan - que renunciou ao cargo após denúncias de corrupção feitas pela Polícia Federal - na liderança da disputa pelo Governo do Amapá. Horas depois, longe dos formulários, veio um teste sem roteiro: no estádio, o nome forte das pesquisas foi recebido com vaias.
O retrato da pesquisa
O levantamento do Instituto Veritá foi realizado entre os dias 23 e 28 de abril de 2026, ouvindo 1.030 eleitores em todo o Estado do Amapá. A pesquisa possui margem de erro de 3,5 pontos percentuais para mais ou para menos e um nível de confiança de 95%. O estudo está registrado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) sob o número AP-03170/2026.
Fora da pesquisa, o termômetro muda
Na noite do mesmo dia, em Santana, no estádio Augusto Antunes, durante a partida entre Paysandu e Trem pela Copa Norte 2026, o cenário foi outro.
Discreto, vestindo camisa do Trem, Furlan apareceu entre torcedores. Não houve palanque, nem microfone. Mas houve reação.
E ela veio em forma de vaias.
Entre o questionário e a arquibancada
O episódio não invalida o levantamento, mas adiciona um elemento que pesquisas não captam: reação espontânea.
Enquanto entrevistas seguem roteiro e metodologia, o estádio funciona como um termômetro imprevisível, sem filtro, sem mediação, sem margem de erro calculada.
O detalhe que pesa no simbólico
Furlan é conhecido por ser torcedor do Remo, rival direto do Paysandu, que venceu o jogo por 3 a 0 naquela noite. No futebol, isso já bastaria para provocar reação.
Na política, o significado pode ir além.
O que não cabe na planilha
Entre o que é dito ao pesquisador e o que se manifesta em público, existe uma diferença difícil de medir.
E é nesse intervalo - onde números não chegam - que o cenário eleitoral muitas vezes começa a se mover.
