Eleito presidente da Associação do Ministério Público do Amapá (AMPAP) no início de março, o promotor João Paulo de Oliveira Furlan passou a circular em ambientes institucionais mesmo estando afastado por decisão do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
Irmão do ex-prefeito Antônio Furlan, afastado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Operação Paroxismo, também conhecida como Propinão da Saúde, o promotor é investigado por crimes eleitorais e corrupção, incluindo a suposta compra de votos para beneficiar o irmão nas eleições de 2020.
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Afastamento com restrições e nova estratégia
O CNMP formalizou a prorrogação, por mais 60 dias, do afastamento cautelar de João Furlan. A decisão inclui restrições severas, como a proibição de frequentar as dependências do Ministério Público do Amapá (MP-AP) e o acesso aos sistemas internos da instituição.
Mesmo diante dessas limitações, a eleição para a presidência da AMPAP criou uma nova condição institucional. O cargo associativo, de natureza classista, não impede formalmente a circulação em ambientes institucionais, o que abriu uma brecha no cenário do afastamento funcional.
Cargo associativo vira caminho para circulação
O “gancho” da estratégia é claro. Ao assumir o comando de uma entidade de classe privada, Furlan busca contornar os efeitos do afastamento funcional.
Sob o manto da presidência da Associação do Ministério Público do Amapá (AMPAP), ele tenta justificar sua presença em prédios oficiais e o contato com outros membros da instituição, desafiando a ordem da Corregedoria Nacional.
Presença na Promotoria amplia suspeitas
A eficácia dessa estratégia foi colocada à prova na manhã desta sexta-feira (10). João Furlan foi visto circulando no prédio da Promotoria de Justiça de Macapá, na Avenida Padre Júlio.
Segundo fontes, ele aguardava para falar com uma promotora ligada a ele e que apura inquéritos com impacto direto no cenário político do irmão.
A presença do promotor afastado no local, justamente onde se decide o futuro político do ex-prefeito, levanta suspeitas de interferência direta e uso indevido da posição associativa para fins pessoais e familiares.
Caso se conecta à Operação Paroxismo
O episódio ocorre em meio ao avanço da Operação Paroxismo, que afastou o ex-prefeito Antônio Furlan e o vice-prefeito Mário Neto sob suspeita de irregularidades em contratos do Hospital Municipal.
Com o cerco jurídico avançando, a movimentação do irmão do ex-prefeito passa a ser vista como tentativa de atuação indireta no ambiente institucional enquanto o caso segue em investigação.
Linha do tempo do cerco jurídico
Janeiro de 2026
CNMP determina o primeiro afastamento de 60 dias de João Furlan e abre Processo Administrativo Disciplinar (PAD).
4 de março de 2026
STF afasta o prefeito Antônio Furlan e o vice Mário Neto na segunda fase da Operação Paroxismo.
Início de março de 2026
João Furlan assume a presidência da Associação do Ministério Público do Amapá (AMPAP).
Março/Abril de 2026
CNMP prorroga o afastamento cautelar do promotor por mais 60 dias.
10 de abril de 2026
João Furlan é visto na Promotoria de Justiça de Macapá.
A manobra coloca em xeque a autoridade do Conselho Nacional do Ministério Público e a própria isenção das investigações locais, enquanto o clã Furlan enfrenta o avanço das apurações e tenta se manter relevante no cenário político e jurídico do Amapá sob o peso de acusações de corrupção e organização criminosa.

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