O dia amanheceu comum no Brasil Novo, mas terminou em silêncio. Entre o barulho do cimento e o cheiro de poeira, a vida de um jovem foi arrancada do chão.
Maicon Moreira Castor era mais do que um nome em um boletim de ocorrência. Era evangélico, trabalhador, desses que acordam cedo e carregam a fé como quem carrega ferramentas no bolso.
Na noite anterior à tragédia, ele estava na igreja. Cantou no culto, louvando a Deus, a voz firme entre outros fiéis. Menos de 24 horas depois, aquela mesma voz se calaria para sempre, no canteiro de uma obra em Macapá.
Na manhã de segunda-feira (12), Maicon estava no bairro Brasil Novo fazendo o que sempre fez: trabalhar para construir o próprio futuro.
Como uma viga transformou trabalho em tragédia?
O sol batia forte, o concreto secava, e ninguém imaginava que aquele seria o último turno de sua vida.
Em um instante que ninguém conseguiu prever, a viga em que Maicon estava cedeu. O estalo seco cortou o ar como um trovão dentro da obra.
O corpo caiu. O sonho também.
A morte foi instantânea, segundo relatos de quem presenciou a cena. Não houve tempo para pedidos de socorro, nem para despedidas.
O que os socorristas encontraram ao chegar ao local?
Populares correram. Telefones foram puxados do bolso. O Samu foi acionado quase de imediato.
Quando a ambulância chegou, o que encontrou foi o silêncio pesado que só existe quando a vida já partiu. Não havia mais o que fazer.
Entre a poeira da obra e o olhar de colegas, Maicon já não respirava.
O que fica quando um trabalhador não volta para casa?
Fica o vazio. Fica a família esperando. Fica uma Bíblia fechada na cabeceira. Ficam projetos que nunca serão concluídos.
No Brasil Novo, uma obra seguiu em pé, mas uma casa perdeu seu pilar.
