Um disparo na cabeça encerrou uma história marcada por controle, ciúmes e violência dentro de casa. A vítima, uma enfermeira conhecida como Paula, deixou dois filhos e um rastro de mensagens que revelam medo, ameaças e agressões anteriores.
Agora, o caso avança na Justiça com denúncia formal por feminicídio, porte ilegal de arma e pedido de reparação à família.
O que a denúncia aponta sobre o crime
A acusação descreve que Alciderico Santos Moreira matou a companheira Benedita de Jesus Barroso da Costa, conhecida como Paula Barroso, com um tiro na cabeça.
O crime ocorreu no domingo (25), em um estabelecimento comercial no Ramal do Bonito, Km 15, na zona rural de Macapá, em contexto de violência doméstica e familiar.
A denúncia foi assinada pelos promotores de Justiça Hélio Paulo Furtado e Carolina Oliveira, da 2ª Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri de Macapá.
Histórico de ameaças e violência antes do assassinato
Segundo a denúncia, Paula vivia um ciclo contínuo de violência, que incluía agressões físicas, violência patrimonial e ameaças reiteradas.
Mensagens de áudio anexadas ao processo reforçam o histórico de medo e controle, apontando que o crime não foi isolado, mas resultado de uma escalada de violência.
Quem era a vítima
Paula Barroso era enfermeira, já havia participado de concurso de beleza e chegou a ser eleita miss.
Ela deixou dois filhos órfãos, fator citado na denúncia como agravante do impacto social e familiar do crime.
O Ministério Público sustenta que o crime foi cometido por razões da condição do sexo feminino, com uso de recurso que dificultou a defesa da vítima.
Diante da gravidade, foi descartada qualquer possibilidade de acordo penal, e o caso seguirá para julgamento pelo Tribunal do Júri, incluindo também a acusação de porte ilegal de arma de fogo.
Acolhimento da família após a denúncia
No mesmo dia em que a denúncia foi protocolada, familiares da vítima foram recebidos em reunião na sede da Procuradoria-Geral de Justiça, no Araxá.
O promotor de Justiça Hélio Paulo Furtado afirmou que a atuação do Ministério Público vai além da persecução penal, destacando a importância de garantir acolhimento, escuta e orientação à família da vítima.
Apoio psicológico e jurídico disponível
Os familiares foram orientados sobre o atendimento pelo Centro de Atendimento às Vítimas ‘Nós Pertencemos’ (CAVINP), que oferece acolhimento psicossocial, orientação jurídica e acompanhamento de vítimas indiretas de crimes violentos.
Com a denúncia apresentada, o caso entra em nova fase judicial. A família acompanha o andamento do processo enquanto busca apoio psicológico e jurídico para enfrentar as consequências de uma violência que deixou marcas permanentes.

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