“Uma medida dessas, sem qualquer respeito à rotina de vida de homens e mulheres de idade avançada, vira um tormento.”
O desabafo é do jornalista João Silva, servidor aposentado da Prefeitura de Macapá, que relatou nas redes sociais o que enfrentou ao tentar receber seu pagamento neste mês de janeiro.
O relato individual expôs um problema coletivo: aposentados e pensionistas enfrentando filas, desinformação e dificuldades práticas após a mudança do banco responsável pela folha salarial.
Relato pessoal expôs problema coletivo
Na publicação, João Silva descreveu um cenário de desgaste físico e emocional, vivido principalmente por idosos, pessoas com deficiência e aposentados com doenças crônicas.
“Gente cega, gente de cadeira de roda, diabéticos, hipertensos, pessoas que precisaram sair de municípios do interior sem saber por que seus proventos não haviam sido creditados”, escreveu.
Segundo ele, a agência bancária virou um ponto de concentração de reclamações, com aposentados acompanhados por filhos e netos, tentando entender por que o dinheiro não havia sido depositado como de costume.
Mudança no banco alterou rotina de milhares
Até novembro, aposentados recebiam pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal. Com a migração da folha para o Banco Santander, passou a ser exigida a abertura de conta na nova instituição.
O processo ocorreu com agendamento on-line e atendimento presencial entre outubro e dezembro. Apesar da divulgação em redes sociais, muitos aposentados não moram mais em Macapá e não acessam a internet, o que dificultou o acesso às informações e ajudou a gerar confusão no início da mudança.
Com a mudança, aposentados relataram atrasos no crédito e necessidade de comparecer presencialmente às agências. Em alguns casos, o pagamento foi feito em espécie, obrigando o beneficiário a procurar outro banco para realizar a portabilidade.
Há registros de aposentados vindos de municípios como Mazagão, Laranjal do Jari e Oiapoque, enfrentando deslocamentos longos e custos extras para resolver uma situação que antes era automática.
Avaliação dos servidores
Para servidores aposentados ouvidos pela reportagem, a mudança representou piora no atendimento e quebra de uma rotina já consolidada. Muitos afirmam que a decisão não considerou o perfil do público afetado, formado majoritariamente por idosos.
A negociação da folha envolve a Prefeitura de Macapá e a Macapá Previdência, responsáveis pela gestão dos pagamentos.
Repercussão política
A repercussão negativa do episódio também gerou desgaste para a gestão do prefeito Antônio Furlan, segundo avaliação de servidores, que afirmam que a mudança poderia ter sido melhor planejada e comunicada.

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