Vinte e cinco anos depois do horror, a justiça bateu à porta. No conjunto Macapaba, Zona Norte de Macapá, um homem de 60 anos foi preso por ter violentado a própria enteada, uma menina de 11 anos, em 2000. A prisão do homem ocorreu nesta quinta-feira (9) pela 8ª Delegacia de Polícia.
Segundo a Polícia Civil, os abusos começaram no início dos anos 2000. A menina tinha 11 anos. O crime só veio à tona três anos depois, quando ela engravidou aos 14 e contou à mãe que o pai da criança era o padrasto.
Entre o crime e a prisão foram 25 anos até que o mandado definitivo fosse cumprido. O homem foi levado para audiência de custódia e depois encaminhado ao Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen), onde cumprirá pena de 14 anos em regime fechado.
O caso é uma lembrança amarga da lentidão do sistema judicial brasileiro, mas também um sinal de que a impunidade, ainda que demore, pode ter fim.
A menina de 11 anos já é mulher. A infância ficou trancada num quarto sem janelas, onde a violência se repetia. Agora, a notícia da prisão talvez não apague o trauma, mas devolve um fragmento de dignidade.
Macapá, cidade que cresce entre o asfalto e o igarapé, abriga histórias como essa, silenciosas, mas persistentes. E cada vez que a justiça alcança um desses rostos esquecidos, o Amapá inteiro respira um pouco mais fundo.
