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Quinta-feira, 30 de Abril 2026
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Júri condena réu por morte de jovem que tentou deixar facção no Amapá

Gabriel tentou deixar a facção e encontrou na emboscada o destino que tanto queria evitar.

Júri condena réu por morte de jovem que tentou deixar facção no Amapá
Crime ocorreu no dia 11 de setembro de 2022 no bairro Novo Horizonte Foto DA
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Era domingo, por volta das 13h, quando Gabriel caminhou rumo ao último encontro, atraído por uma promessa pequena demais para valer sua vida. Ali, no silêncio tenso do Novo Horizonte, a juventude perdeu mais um dos seus.

A história de Gabriel Amorim Barbosa, 18 anos, não termina no disparo. Começa muito antes, quando ele resolveu romper com a facção que o cercava desde cedo, como quem tenta abrir a porta para ver se ainda existe mundo lá fora. A decisão, porém, virou sentença: foi justamente esse desejo de mudança que o colocou na mira dos próprios “irmãos de crime”.

No julgamento realizado pelo Tribunal do Júri de Macapá, na última semana, o Ministério Público reconstruiu passo a passo essa trajetória interrompida.

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Representado pelo promotor de Justiça Danilo de Freitas Martins, o MP descreveu a crueldade da emboscada que tirou a vida do rapaz e o impacto que isso deixa para além das estatísticas.

Segundo as investigações, Gabriel recebeu por celular uma proposta simples: ir buscar um dinheiro que lhe era devido. Parecia fácil, parecia rápido. Só parecia. No local combinado, dois homens em uma motocicleta amarela esperavam, motor baixo, olhar frio. Um terceiro envolvido, Eraldo de Souza Correia, chegaria em um carro de aplicativo.

Quando Gabriel se aproximou, não houve diálogo. Houve execução. Quatro disparos na cabeça, um no pescoço, como registraram os peritos da Politec. Um recado, mais que um assassinato. Romper não é só sair. É desafiar.

O promotor ressaltou que Gabriel havia manifestado o desejo de deixar a organização criminosa e isso, naquela lógica violenta, virou motivo fútil, motivo fatal. A rua onde caiu o jovem, no Novo Horizonte, virou a marca geográfica dessa fronteira invisível entre o medo e o desejo de recomeço.

Testemunhas presenciais confirmaram a trama: Gabriel foi atraído, cercado e impedido de reagir. O laudo necroscópico, as perícias balísticas e a confissão do réu na fase policial reforçaram a premeditação.

Na sessão, o Conselho de Sentença decidiu, por maioria, condenar Eraldo de Souza Correia a 18 anos, 11 meses e 15 dias de prisão em regime fechado. A juíza presidente determinou a execução imediata da sentença, amparada pelo entendimento do Supremo Tribunal Federal.

Para o Ministério Público, a condenação representa mais do que um desfecho jurídico. Representa um compromisso com a vida dos jovens que tentam escapar do ciclo, com as famílias que ainda acreditam na justiça, com o direito de recomeçar sem ser abatido antes da esquina.

O promotor citou dados da Uicef e precedentes do STJ, lembrando que a letalidade juvenil é, hoje, um grito de alerta nacional. E que cada resposta penal firme é também uma tentativa de costurar a confiança social.

Gabriel saíra recentemente do Iapen, usava tornozeleira eletrônica e tentava reorganizar os passos. Era morador do Brasil Novo, dois bairros depois de onde seu corpo cairia no asfalto. Tinha erros, como tantos, mas também carregava algo que não cabia no processo: a vontade de não morrer bandido.

Os policiais do 2º BPM e a equipe da Delegacia de Homicídios encontraram, naquela tarde, mais do que um corpo.

Encontraram um jovem sem chance de defesa. Encontraram uma pergunta que reverbera: por que é mais fácil matar quem tenta sair do que acolher quem tenta voltar?

De Bubuia

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