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Quinta-feira, 30 de Abril 2026
Notícias/Policial

O choro, a mentira e a verdade: o caso da bebê abandonada de Ferreira Gomes

A bebê segue internada, estável, em Santana. A mãe passou por exames físicos e psicológicos no Hospital Regional de Porto Grande, onde segue hospitalizada.

O choro, a mentira e a verdade: o caso da bebê abandonada de Ferreira Gomes
Clarisse pode responder por falsa comunicação de crime e exposição de recém-nascido
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Por alguns dias, Ferreira Gomes acreditou ter sido cenário de um milagre.

Um choro de bebê encontrado atrás de uma casa virou símbolo de solidariedade e esperança. Mas, como nas histórias mais humanas, a verdade esperou o tempo certo para nascer e, quando veio à tona, trouxe junto a dor e o medo.

A primeira história

Na manhã do dia 20 de novembro, o som fino que parecia vir de um gato acordou o bairro Portelinha.

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Clarisse, apressada para ir ao trabalho, seguiu o instinto e encontrou uma recém-nascida envolta em um lençol branco.

Foi ela quem chamou a tia, Roberta Costa Tavares, que acreditou ter salvado uma criança abandonada.

O caso correu o estado como um rastro de espanto. A cidade chorou, rezou e se comoveu com a imagem da bebê que havia sido deixada sozinha no mundo ou pelo menos, era o que se pensava.

Uma história que se reescreve

Três dias depois, a mesma mulher que se apresentou como salvadora ligou à reportagem para dar mais detalhes.

Falava com emoção, ainda sem saber que a verdade estava dentro da própria casa.

Foi só na terça-feira (25) que a Polícia Civil confirmou: a mãe da bebê era Clarisse, a jovem que primeiro disse tê-la encontrado. Ela havia escondido a gravidez, deu à luz sozinha em seu quarto e, tomada pelo medo e pela dor, inventou o abandono.

“Ela entrou em trabalho de parto sozinha, por volta das 9h da manhã. O cordão se rompeu, e em estado de choque ela deixou o material nos fundos da casa”, explicou o delegado Felipe Rodrigues.

Medo, silêncio e solidão

A versão que parecia improvável virou confissão.

Clarisse contou que viveu a gestação escondida, talvez por vergonha, talvez por desespero.

Sozinha, deu à luz em um parto improvisado, entre lençóis e lágrimas. O sangue, o medo e o barulho do próprio coração foram suas únicas testemunhas.

No pavor, inventou uma história. Disse ter achado a criança no quintal, e a notícia correu mais rápido que o alívio.

Ferreira Gomes acreditou, e o Amapá também. Mas por trás do que parecia um crime, havia apenas uma mulher tentando sobreviver a si mesma.

Duas histórias

A bebê segue internada, estável, em Macapá. A mãe passou por exames físicos e psicológicos em Porto Grande, onde segue internada.

A Polícia Civil avalia o caso com cautela, considerando o sofrimento mental envolvido.

Clarisse pode responder por falsa comunicação de crime e exposição de recém-nascido, mas há quem diga que o maior julgamento já foi o que ela mesma enfrentou: o de encarar o espelho e admitir o medo.

Um desfecho humano

Ferreira Gomes, que chorou pelo abandono, agora se vê tocada por uma verdade mais profunda: nem sempre a dor tem vilões, às vezes só tem vítimas.

A cidade respira mais devagar, como quem aprende que toda história tem dois nascimentos o da vida e o da verdade.

Quanto a Clarisse a investigação segue. 

A imagem que o De Bubuia não mostrou

A equipe do De Bubuia teve acesso, com exclusividade, à foto da mãe envolvida no caso. Mas, por respeito à sua condição emocional e à integridade, optou por não publicá-la. Porque algumas verdades não precisam de rostos para doer.

De Bubuia

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