A Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira (18) a Operação Lâmina de Prata para investigar o envolvimento de grupos políticos com facções criminosas no Amapá. Até o momento, 20 pessoas foram presas, entre elas o secretário de Infraestrutura de Vitória do Jari.
O que a Operação Lâmina de Prata investiga?
A investigação mira um esquema que ligaria agentes públicos ao crime organizado, com suspeita de desvio de recursos públicos para financiar o tráfico de drogas.
Segundo o delegado Stefano Santos, o secretário preso era responsável pela parte financeira da organização criminosa.
“Ele gerenciava os ativos ilícitos dessa organização e transferia para aquisição de entorpecentes, além de promover a lavagem de dinheiro, recebendo diversos depósitos de forma fracionada de contas em nome de laranjas”, afirmou o delegado.
Quem são os alvos da operação?
Os alvos são suspeitos de integrar a facção PCC, que teria no Amapá uma aliança operacional com o grupo criminoso Família Terror do Amapá (FTA).
O secretário de Justiça e Segurança Pública, Cezar Vieira, confirmou que a investigação apura a participação de grupos políticos.
“As forças de segurança do Estado estão atentas ao envolvimento de grupos políticos com o crime organizado, colocando essa pauta em questão pela necessidade de resposta à sociedade.”
Quantas ordens judiciais foram cumpridas?
A operação mobilizou equipes no Amapá, Amazonas e Paraná, incluindo apoio aéreo do GTA e atuação do DRACO.
Números oficiais:
- 58 ordens judiciais
- 23 mandados de prisão preventiva
- 35 mandados de busca e apreensão
- 20 presos até a última atualização
- Apreensão de documentos e joias
- Bloqueio de bens e valores ligados ao grupo
Qual é o esquema de corrupção investigado?
As apurações começaram após prisões por tráfico e revelaram um esquema milionário de lavagem de dinheiro, com movimentações incompatíveis com a renda dos investigados.
Entre os alvos está o secretário de Infraestrutura de Vitória do Jari, suspeito de receber R$ 100 mil de uma empresa contratada pela prefeitura — obras que ele próprio fiscalizava.
Outro ponto identificado foi a atuação de um “contêiner” (laranja) que movimentou R$ 3,3 milhões, valor muito acima do declarado oficialmente.
O dinheiro seria enviado para cidades estratégicas do narcotráfico, como Manaus e Tabatinga.
Como funciona a aliança entre FTA e PCC?
Segundo a investigação, a parceria fortalecia a logística e o financiamento do tráfico no Norte do país, permitindo circulação de recursos e abastecimento de drogas entre estados.
A Lâmina de Prata tem como objetivo romper essa estrutura e esvaziar financeiramente as facções.
O que diz a Prefeitura de Vitória do Jari?
A prefeitura divulgou nota informando que exonerou o secretário e que os fatos investigados “não têm ligação com o órgão”.
Veja a nota na íntegra:
A Prefeitura de Vitória do Jari/AP informa que tomou conhecimento da prisão do Secretário Municipal de Infraestrutura pela Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO/Macapá/AP), referente a fatos que estão sendo investigados. Embora eventuais fatos não tenham qualquer ligação com a prefeitura, a administração acompanha o desenrolar dos acontecimentos, observando a lei e a presunção de inocência.
A prefeitura informa que efetuou a exoneração do secretário. Outras informações serão prestadas caso haja necessidade, quando houver desdobramentos oficiais do processo. A atual gestão reafirma seu compromisso com a legalidade, transparência e moralidade administrativa.
Próximos passos da investigação
A Polícia Civil informou que a operação continua e novas prisões podem ocorrer. O material apreendido será analisado para identificar outros possíveis envolvidos e movimentações financeiras suspeitas.
