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Sexta-feira, 24 de Abril 2026

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Operação Paroxismo: investigação da PF liga obra do hospital à crise da saúde em Macapá

Segundo inquérito autorizado pelo STF, contrato do Hospital Geral Municipal é investigado por fraude e desvio enquanto pacientes relatam falta de remédios e atendimento nas UBS

Operação Paroxismo: investigação da PF liga obra do hospital à crise da saúde em Macapá
Os reflexos da corrupção são sentidos na falta de remédio de remédios nas unidades de saúde de Macapá
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A segunda fase da Operação Paroxismo, deflagrada nesta quarta-feira (4), investiga possíveis fraudes e desvio de recursos públicos ligados à construção do Hospital Geral Municipal de Macapá. A operação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ocorre em meio a relatos de pacientes sobre falta de medicamentos, cancelamento de consultas e dificuldades de atendimento nas UBS da capital.

A decisão do STF determinou o cumprimento de 13 mandados de busca e apreensão e o afastamento por 60 dias do prefeito de Macapá, Antônio Furlan, do vice-prefeito Mário Neto e de outros agentes públicos. A investigação da Polícia Federal busca rastrear contratos, documentos e movimentações financeiras relacionados à obra do hospital municipal.

LEIA AQUI A DECISÃO QUE AFASTOU O PREFEITO FURLAN

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A realidade nas UBS

Enquanto a investigação avança sobre contratos milionários da saúde municipal, pacientes relatam dificuldades para acessar serviços básicos nas unidades de saúde da capital.

Nos últimos meses, denúncias registradas por usuários e reportagens apontaram problemas recorrentes nas UBS de Macapá, como:

  • falta de medicamentos
  • consultas canceladas após horas de espera
  • unidades com estrutura precária
  • escassez de profissionais
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Em um dos casos relatados por pacientes, um usuário afirmou ter madrugado na fila de uma unidade de saúde e, após horas aguardando atendimento, teve a consulta cancelada.

Situações semelhantes também foram registradas em outras unidades da capital, onde pacientes relataram longas filas, dificuldades para marcar consultas e falta de medicamentos considerados essenciais para tratamentos contínuos.

Medicamentos que não chegam aos pacientes

A falta de remédios também passou a ser alvo de questionamentos institucionais.

Diante das denúncias recorrentes, o Ministério Público do Amapá determinou que a Prefeitura de Macapá passe a divulgar periodicamente os estoques de medicamentos da rede municipal.

A medida foi adotada após relatos de pacientes que não conseguiam encontrar medicamentos básicos nas unidades de saúde.

A divulgação periódica dos estoques foi apresentada como forma de ampliar a transparência sobre a disponibilidade de remédios e permitir o acompanhamento da situação da rede municipal.

Crianças autistas e a busca por tratamento

Entre os casos que mais repercutiram estão relatos de famílias de crianças autistas que enfrentaram dificuldades para acessar medicamentos e atendimento especializado.

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Em um episódio recente relatado por familiares, uma mãe afirmou ter percorrido diversas unidades de saúde em busca de um medicamento necessário para controlar as crises do filho sem conseguir encontrá-lo.

O caso ganhou repercussão nas redes sociais e reacendeu o debate sobre a capacidade da rede municipal de garantir atendimento contínuo para pacientes que dependem de tratamento especializado.

O hospital que virou alvo da investigação

Segundo a Polícia Federal, o foco das apurações é o contrato de engenharia responsável pela execução das obras do Hospital Geral Municipal de Macapá.

A unidade foi anunciada como um dos principais investimentos da gestão municipal para ampliar o atendimento hospitalar na capital.

Agora, porém, o empreendimento passou a ocupar posição central em uma investigação que apura a existência de um possível esquema envolvendo:

  • direcionamento de licitações
  • desvio de recursos públicos
  • lavagem de dinheiro

De acordo com os investigadores, empresários e agentes públicos teriam atuado de forma coordenada no processo licitatório da obra.

O episódio da mochila com R$ 400 mil

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Um dos episódios analisados pela investigação envolve o empresário Rodrigo Queiroz, ligado à empreiteira responsável pela execução da obra.

Ele foi abordado anteriormente pela Polícia Federal transportando R$ 400 mil em dinheiro dentro de uma mochila.

Segundo informações do inquérito, o valor teria sido posteriormente utilizado na aquisição de um veículo ligado ao prefeito de Macapá.

O episódio passou a integrar a linha de apuração que busca rastrear o fluxo financeiro relacionado ao contrato da obra.

O fio que liga a investigação e a crise da saúde

A investigação da Polícia Federal levanta uma questão que ultrapassa o aspecto jurídico do caso.

Quando contratos milionários da saúde entram na mira de suspeitas de fraude ou desvio de recursos públicos, o impacto deixa de ser apenas administrativo.

Ele passa a dialogar diretamente com a realidade enfrentada diariamente por pacientes que dependem da rede municipal.

Cada atraso em obras hospitalares, cada recurso que deixa de chegar ao sistema público ou cada irregularidade em contratos da saúde pode repercutir no funcionamento das unidades básicas e no acesso da população a medicamentos e atendimento.

O que pode acontecer agora

Com o afastamento do prefeito e do vice-prefeito por decisão do STF, a Prefeitura de Macapá deverá ser assumida interinamente pelo presidente da Câmara Municipal.

A Polícia Federal continua analisando contratos, documentos e movimentações financeiras para identificar novos envolvidos e aprofundar a investigação.

Até o momento, as autoridades tratam o caso como investigação em andamento, e os citados poderão apresentar suas manifestações ao longo do processo.

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