A Operação Paroxismo, deflagrada na manhã desta quarta-feira (3), ganhou um novo capítulo: o motorista do prefeito de Macapá, Antônio Furlan, foi identificado como um dos alvos da ação da Polícia Federal. Ele teria sido flagrado recebendo um grande montante em dinheiro em espécie - “um saco de dinheiro” - sacado de uma agência bancária, o que reforça as suspeitas de que os recursos teriam como destino o próprio gabinete municipal.
A investigação, que apura um esquema de fraude em licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de capitais envolvendo as obras do Hospital Geral Municipal, avançou após identificação dos métodos utilizados, entre eles, retiradas personalizadas em espécie de até R$ 9 milhões.
Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão em Macapá e outros dois em Belém (PA). Os investigados poderão responder por diversos crimes, como corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação e lavagem de dinheiro.
Contextualização: Operações recentes que cercam a gestão Furlan
Esta nova revelação reforça a ligação com a Operação Plattea, deflagrada em 19 de setembro de 2024, quando o prefeito Antônio Furlan, seu irmão Neto Furlan, e secretários foram alvos de mandados de busca e apreensão. Naquela ocasião, foi investigado um esquema de desvio de R$ 10,3 milhões em obras de urbanização com pagamento de propina estimado em R$ 500 mil.
Hoje, com a Operação Paroxismo, o cerco se estreita ainda mais. A presença do motorista em um possível esquema de entrega de valores em espécie aponta para a profundidade da articulação e sugere que os mecanismos de lavagem e repasse de dinheiro ilícito atingiram níveis operacionais mais complexos.
